Escritora Online

Este é um espaço para falar da vida de nós, escritores.Todas as dificuldades e delícias desta vida tão solitária e ao mesmo tempo tão prazerosa.

Encarnando o personagem

13 13UTC julho 13UTC 2008

É muito bom quando sentimos o que o personagem está sentindo. Parece que a história fica mais emocionante, né? Ainda mais quando você é o autor da história em questão. Sei lá. Quando você encarna um personagem, você entende seus sentimentos, você sabe como ele vai agir diante de cada situação, e, sobretudo, você sente o que ele está sentindo. Quando você encarna um personagem, a idéia surge em sua mente, o sentimento passa pelo seu coração, o cérebro manda o arquivo para a sua mão e então a cena vai surgindo no papel frase por frase. A emoção não fica só no papel, ela fica em você. É muito diferente de quando a emoção vai da mão direto para o papel.
Quando você entra na pele de um personagem, você escreve com mais empolgação. Você sente aquela necessidade de escrever sempre, porque você, sentindo o que o personagem sente, vive cada situação como se fosse você que estivesse lá. Um exemplo: o capítulo termina com o personagem parado no meio da rua e um carro vindo em alta velocidade em sua direção. Você sente o medo e o desespero que o personagem está sentindo. Então você sente aquela coisa que lhe impulsiona a escrever o resto da cena para que o seu coração possa se acalmar e você poder respirar aliviado.
Encarnar um personagem faz com que você conheça certas facetas de você mesmo que talvez nem você sabia que tinha dentro de si, é quase que uma saborosa "reinterpretação" da sua própria pessoa.
Viver um personagem pode ser uma experiência tanto boa quanto ruim, porque certas situações podem reviver traumas de infância ou te provar que certos aspectos de sua vida não estão de acordo com o que você queria, assim como outras situações te fazem olhar para dentro de você mesmo e ver que as coisas poderiam ser piores…
Um dos perigos de se encarnar um personagem é não conseguir se desvencilhar dele depois. O José Wilker, por exemplo. Ele não é escritor, mas vale salientar o que ele passou, sobretudo porque tem tudo a ver com o que estamos dizendo. Ele passou anos fazendo terapia porque os personagens entravam dentro dele e não saíam. Quando saía do estúdio depois de um dia de gravação, ele levava o personagem para casa. Imagine, então, o que é ter, por exemplo, dez pessoas diferentes dentro de você. Qual das dez é você realmente? Neste caso realmente é necessário um tratamento psicológico para que a pessoa posso se encontrar e descobrir como ela é realmente.
Portanto, encarne seus personagens, sim, pois isto irá ajudá-lo a desenvolver suas histórias com mais emoção. Entretanto, há que se ter cuidado. Entre na pele do seu personagem, mas como diz uma música do Barão Vermelho, “diga a ele, pelo menos uma vez, quem é mesmo o dono de quem”. Com isso estou querendo dizer que se você entrar na pele de um personagem, você consegue sair na hora que quer. Agora se o personagem se acoplar a você, vai ser mais difícil você se desvencilhar dele.

 

Agradeço a colobaração do meu amigo e grande escritor, Paulo Vitorasso, na produção deste texto.

 

Fiquem em paz!

Escrevam muito!

Beijos!

Arquivado em: Sem categoria I

1 Comentário »

  1. Comentário por Lílian Soares — 14 14UTC julho 14UTC 2008 (16:09)

    Parabéns, adorei o texto. Concordo, é edificante criar um bom personagem e até se identificar com ele. Até porque um bom personagem é peça-chave de uma boa história…
    Um bom personagem atrai leitores/ espectadores para sua história, ainda que se encontre um lapso de criatividade! E, claro, como alguém que gosta muito de escrever e, que pretende tornar-se uma grande escritora, é uma honra ter seu comentário em meu humilde blog! Obrigada, Sara!
    Abços, Lílian

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