Escritora Online

Este é um espaço para falar da vida de nós, escritores.Todas as dificuldades e delícias desta vida tão solitária e ao mesmo tempo tão prazerosa.

Repressão e Acúmulo

27 27UTC julho 27UTC 2008

Alguma vez vocês já estavam em algum lugar e de repente a cabeça começou a fervilhar de idéias e vocês não tinham como escrever? Acho que todo escritor já passou e ainda vai passar muitas vezes por isso.

Como você não pode escrever, você começa a reprimir sua mente. Você fica repetindo pra si mesmo: "Não. Agora não posso escrever. Quando chegar em casa eu escrevo!", mas a sua mente continua trabalhando até que tudo pára. Você retoma o controle da situação e volta a se concentrar no que estava fazendo.

Quando você chega em casa, está todo animado para escrever e corre pra pegar o lápis e o papel ou então pra sentar em frente ao monitor. Mas cadê as idéias? Sumiram! E agora?

No momento em que o cérebro está fervilhando de idéias e você reprime esta produção, as idéias não ficam bem fixadas em sua mente, porque o cérebro é uma máquina, como o computador. Então imagine quando você entra num site e está demorando muito para carregar. Você, impaciente, clica em cancelar. E acaba não indo para lugar nenhum. Nem entra, nem sai. A única solução é apertar CTRL+ALT+DELETE e finalizar o internet  explorer. O mesmo acontece com o nosso cérebro. Instintivamente, no primeiro momento você aceita a idéia, mas como você não pode escrever naquele momento, no momento seguinte você passa a reprimir. Então o cérebro fica confuso: "É pra aceitar ou pra recusar?" e acaba não fixando bem as idéias na memória.

Por isso, evite reprimir as idéias. Se não puder desenvolver as cenas ou os textos naquele momento, anote a idéia num bloquinho ou num pedaço de papel e quando chegar em casa você desenvolve.

Outra coisa que devemos evitar é o acúmulo de cenas. Assim como reprimir, não é bom deixar a mente viajar demais e criar cinco, dez cenas antes de resolver passar para o papel, pois da mesma maneira como acontece na repressão, o acúmulo de cenas na mente faz com que, na hora em que decidimos escrever, nossa mente já tenha esquecido parcial ou totalmente as cenas que criou. Sendo assim, você não se lembra de muitas coisas, muitos detalhes importantes que deixavam as cenas tão boas. Outro inconveniente do acúmulo de cenas é que, quando você decide escrever, você acaba interrompendo o processo de criação, pois o seu cérebro já está lá na frente enquanto no papel a história ainda está lá trás. Sua mente quer trabalhar mais você não deixa, pois tem muita coisa para passar pro papel. Isso faz com que você perca parcial ou totalmente o ritmo de produção.

Por ora é só.

Fiquem em paz.

Que Deus mande uma chuva de inspirações para vocês!

Beijos!

Encarnando o personagem

13 13UTC julho 13UTC 2008

É muito bom quando sentimos o que o personagem está sentindo. Parece que a história fica mais emocionante, né? Ainda mais quando você é o autor da história em questão. Sei lá. Quando você encarna um personagem, você entende seus sentimentos, você sabe como ele vai agir diante de cada situação, e, sobretudo, você sente o que ele está sentindo. Quando você encarna um personagem, a idéia surge em sua mente, o sentimento passa pelo seu coração, o cérebro manda o arquivo para a sua mão e então a cena vai surgindo no papel frase por frase. A emoção não fica só no papel, ela fica em você. É muito diferente de quando a emoção vai da mão direto para o papel.
Quando você entra na pele de um personagem, você escreve com mais empolgação. Você sente aquela necessidade de escrever sempre, porque você, sentindo o que o personagem sente, vive cada situação como se fosse você que estivesse lá. Um exemplo: o capítulo termina com o personagem parado no meio da rua e um carro vindo em alta velocidade em sua direção. Você sente o medo e o desespero que o personagem está sentindo. Então você sente aquela coisa que lhe impulsiona a escrever o resto da cena para que o seu coração possa se acalmar e você poder respirar aliviado.
Encarnar um personagem faz com que você conheça certas facetas de você mesmo que talvez nem você sabia que tinha dentro de si, é quase que uma saborosa "reinterpretação" da sua própria pessoa.
Viver um personagem pode ser uma experiência tanto boa quanto ruim, porque certas situações podem reviver traumas de infância ou te provar que certos aspectos de sua vida não estão de acordo com o que você queria, assim como outras situações te fazem olhar para dentro de você mesmo e ver que as coisas poderiam ser piores…
Um dos perigos de se encarnar um personagem é não conseguir se desvencilhar dele depois. O José Wilker, por exemplo. Ele não é escritor, mas vale salientar o que ele passou, sobretudo porque tem tudo a ver com o que estamos dizendo. Ele passou anos fazendo terapia porque os personagens entravam dentro dele e não saíam. Quando saía do estúdio depois de um dia de gravação, ele levava o personagem para casa. Imagine, então, o que é ter, por exemplo, dez pessoas diferentes dentro de você. Qual das dez é você realmente? Neste caso realmente é necessário um tratamento psicológico para que a pessoa posso se encontrar e descobrir como ela é realmente.
Portanto, encarne seus personagens, sim, pois isto irá ajudá-lo a desenvolver suas histórias com mais emoção. Entretanto, há que se ter cuidado. Entre na pele do seu personagem, mas como diz uma música do Barão Vermelho, “diga a ele, pelo menos uma vez, quem é mesmo o dono de quem”. Com isso estou querendo dizer que se você entrar na pele de um personagem, você consegue sair na hora que quer. Agora se o personagem se acoplar a você, vai ser mais difícil você se desvencilhar dele.

 

Agradeço a colobaração do meu amigo e grande escritor, Paulo Vitorasso, na produção deste texto.

 

Fiquem em paz!

Escrevam muito!

Beijos!

Crise de riso

5 05UTC julho 05UTC 2008

Oi, galera! Como estão? Escrevendo muito?

Alguma vez vocês já tiveram vergonha de passar uma cena pro papel?

Eu tô com muita vergonha de passar uma cena pro papel.  A cena em questão é uma em que a personagem é flagrada tomando banho de rio só de lingerie. O cara não vê nada, porque ela cobre o busto com os braços e a parte de baixo fica dentro d’água. A cena é bem cômica. Tanto que toda vez que eu penso nela eu tenho crise de riso. Aliás, a cena não é tão cômica assim, eu fico rindo de vergonha.

Eu perguntei a um amigo meu escritor se ele já tinha tido vergonha de passar uma cena pro papel e, se teve, o que ele fez para a vergonha passar. Se ele me der alguma dica legal, eu passo pra vocês!

Mas sabe… Esta é uma das coisas boas de se escrever com o coração: você entra na pele do personagem e sente o que ele tá sentindo.

Que seu coração e sua mente estejam em paz.

Beijos!

A pior de todas

26 26UTC junho 26UTC 2008

Oi, gente! Hoje não tô legal. Tô me sentindo a pior escritora do mundo. Estou com muita raiva de mim. Eu escrevo bem e tals, mas eu não consigo escrever do jeito que eu quero. Acho que nem se o Paulo Coelho ou o Dan Browm chegasse pra mim hoje e disse: "Você é uma escritora maravilhosa!" eu acreditaria e me sentiria melhor. Às vezes me pergunto por que eu tenho que ser tão emocional. Por que eu não posso ser um pouco mecânica também? Já imaginou se um dia eu estou trabalhando para uma editora, escrevendo meu novo livro, e de repente eu fico triste e passo um bom tempo sem escrever? Meu editor me mataria decerto. Enquanto eu sou uma amadora, posso me dar ao luxo de passar dias sem tocar numa história, mas quando eu for uma profissional, não vou poder deixar a editora esperando. Por isso que eu queria conseguir escrever mecanicamente, mesmo que por dentro eu estivesse extremamente mal.

Espero que vocês estejam bem e escrevendo muito!

Beijos!

Tirando os ás

24 24UTC junho 24UTC 2008

Compare os dois trechos a seguir:

 

Ela estava apressada. Na mochila levava mais do que roupas e coisas de uso pessoal, levava sonhos e esperanças.

 

Ela corria sôfrega. O ônibus partiria em quinze minutos. Sentia o peso da mochila recair sobre seu corpo exausto. Seu conteúdo não apenas roupas e objetos de uso pessoal, mas também sonhos e esperanças.

 

Qual deles você acha que está mais emocionante? O segundo? Acertou. E isso acontece não porque ele foi mais desenvolvido, e sim porque a letra "a" aparece muito pouco.

Se você nunca reparou, nós abrimos a boca quase num sorriso e piscamos os olhos quando pronunciamos a letra "a". Em se tratando das outras vogais, nós geralmente as pronunciamos com uma expressão séria. Conseqüentemente, um texto onde a letra "a" aparece em demasia se torna, aos olhos do leitor, muito leve e soando alegria, mesmo que o escritor não tivesse o intuito de passar isso quando o escreveu. Já um texto onde as outras vogais predominam prende mais a atenção do leitor por ser mais sério e mais instigante.

Não estou dizendo para escrevermos um texto tão sério quanto um atestado de óbito. Só estou dizendo que o excesso de ás dispersa o leitor e o faz sorrir, quebrando todo o clima de tensão gerado pelo fato do vilão estar prestes a matar o mocinho, por exemplo.

Eu sei que é impossível não usar a letra "a", pois uma boa parte das palavras em português a possuem. Entretanto, se você quer prender mais o leitor e criar um clima de tensão maior, evite o excesso de "a".

Lembre-se: quanto mais o leitor estiver preso ao texto, mais ele se envolverá na trama e, por conseguinte, mais você conseguirá mexer com suas emoções.

Que seu coração e sua mente estejam em paz!

Escreva bastante!

Até mais!

RADIANTEEEEEEEEEE

17 17UTC junho 17UTC 2008

Oi, pessoal! Faz tempo que eu não apareço aqui, né? É que estou escrevendo muito, graças a Deus! Mas eu tinha que vir aqui hoje contar a SUPER novidade.

Eu escrevi uma peça, sabe? Aí eu mandei um recado para um diretor teatral que tem aqui no meu estado. Aí hoje eu recebi um recado dele pedindo pra eu mandar a peça pro e-mail dele.

VOCÊS FAZEM IDÉIA DO QUE É ISSO? ELE TÁ ME DANDO ESSE CRÉDITO TODO SEM NEM CONHECER O MEU TRABALHO!

EU ESTOU RADIANTEEEEEEEEEEEEE!

Já imaginou se a minha peça é encenada??????

Vamos torcer para que o diretor goste do que vai ler.

Até a próxima!

Kisus :***

 

Somos humanos também

13 13UTC maio 13UTC 2008

Nós somos seres humanos comuns, apenas temos o dom de organizar as palavras de modo a emocionar quem lê. Somos um pouco mais sensíveis do que os outros e instintivamente botamos nossos sentimentos nas palavras. Mas não somos nenhum ser de outro planeta. Também temos dor de cabeça, dor de barriga, sentimos um aperto no peito, perdemos a calma, magoamos quem amamos. Antes de sermos escritores, somos humanos e é esta qualidade humana que nos aproxima do leitor. (Sara Regina)

Acabei de criar essa frase. Achei tão bonita que resolvi compartilhar.

E aí, como vocês estão? Escrevendo muito? Estou planejando uma nova história.. Não tive mais idéias para crônicas. Mas sempre que tiver algo interessante ou uma dica eu venho aqui.

Se cuidem e escrevam muito!

Abraço!

Dicas

9 09UTC maio 09UTC 2008

Olá! Tudo bom? Escrevendo muito? Ontem eu estava procurando no google como escrever suspense e encontrei um site com dicas maravilhosas sobre como escrever bem. Talvez vocês até já conheçam algumas dessas dicas e já as ponham em prática, mas eu não podia deixar de compartilhar com vocês estas dicas incríveis. Espero que façam um bom proveito delas.

O site é: http://www.jrocha.com.br/jrocha/arquivodicas.html

Abraços!

Um ótimo findi pra vocês!

Talento pra quê?

Nem um dos dois

    Era uma vez um homem que queria muito ser um romancista. Quando ele via algo na tevê, no jornal ou num livro ele logo pensava em escrever uma crônica sobre aquele assunto. Mas ele não queria escrever crônicas, queria escrever romances. E nenhuma das idéias que tinha dava um romance.

    Com o tempo seu dom para a escrita foi juntando poeira, mofo, acabou enferrujando por falta de uso.

    Um dia esse homem morreu. Então ele percebeu o erro que havia cometido.

    - Eu não cumpri minha missão. Eu queria ser um romancista, mas em minha mente só vinham crônicas. Eu não queria ser um cronista, queria escrever romances. Passei a vida inteira esperando por uma idéia que desse um romance, mas ela não veio. Meu dom foi juntando poeira e enferrujou, porque eu não o usava. Eu poderia ter sido um grande cronista e passado muitas lições para as pessoas, mas desperdicei o meu dom.  Não consegui ser o romancista que queria nem o cronista que deveria. Infelizmente só percebi o meu erro depois de minha morte.

Fim

A pessoa tem um visível talento para escrever. Não há quem possa negar. Mas tem talento para escrever o quê? Crônicas, peças, contos, poesias ou romances?

Tem gente que quer porque quer ser romancista, por exemplo, mas leva jeito mesmo é para ser dramaturgo ou poeta. Mas insiste em ser romancista.

As idéias vêm e eles não passam para o papel. Esperam por uma idéia que resultará no romance de suas vidas, mas ela nunca vem.

O tempo passa, muitas idéias são desperdiçadas, um dom tão precioso fica entregue às moscas, no total abandono.

A frustração é inevitável. Não conseguem ser o que querem nem usam o seu dom para nada. Perdem uma oportunidade incrível de fazer com que o mundo conheça suas idéias só porque não podem transmiti-las através de um romance. Quando percebem o seu erro aí vem o arrependimento.

Se você tem o dom da escrita, escreva o que vem em seu coração.

Se você tem idéias para crônicas, seja um cronista; se tem idéias para romances, seja um romancista, mas não desperdice seu dom.

Abraço!

A maior preocupação de um escritor

5 05UTC maio 05UTC 2008

Não sei se você reparou, mas a maioria das novelas se resumem a intrigas, amores não correspondidos, inveja, sexo e, é claro, "quem matou fulano?".

Alguns escritores não se preocupam muito com o conteúdo de seus escritos, estão mais interessados em escrever o que vende mais ou dá mais ibope.

O ideal seria que os escritores escrevessem coisas edificantes, que passassem coisas boas para as pessoas.

Eu sei que a maior preocupação de um escritor deve ser agradar ao público, isto é, escrever coisas com as quais as pessoas se identifiquem.

O nosso mundo não é perfeito e o trabalho do escritor é descrevê-lo como ele é. Mas histórias que só falam de coisas ruins não são legais. Entretanto, histórias muito fantasiosas também não ganham o público. Afinal, ninguém gosta de ver uma história perfeita, onde não acontece nada de ruim, onde tudo dá certo, onde os personagens não têm problemas. Os escritores precisam ser realistas, só que as histórias que só falam de coisas ruins nos fazem muito mal.

É lamentável que muitos escritores usem o seu dom para escrever histórias que só falam de sexo, ódio, vingança, inveja e tudo mais de pior que existe na sociedade.

Não estou dizendo que devemos nos tornar santos e escrever apenas livros religiosos ou então de auto-ajuda.

Nós podemos escrever sobre o que quisermos, mas devemos fazer um uso consciente do nosso dom.

Deus nos deu este dom para usarmos ele para o bem. Para que ao final de nossa jornada nós possamos olhar para trás e dizer: "Eu cumpri minha missão!".

Abraços!

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